domingo, 25 de junho de 2017

PERIGOS QUE RONDAM O MEU INTERIOR.

A foto abaixo foi tirado no Rio Marajó Açú, a embarcação está na direção de Ponta de Pedras. Em princípio, ao olharmos para a foto, somos levados a admirar a beleza das matas verdejantes e a coragem dos navegantes, é tudo muito bonito. Contudo, essa beleza, esconde um perigo que diariamente é visto nos rios da Amazônia - AS EMBARCAÇÕES COM EXCESSO DE CARGA OU PASSAGEIROS. Para muitos, a embarcação está navegando em segurança, mas todos sabemos que toda embarcação tem um limite de carga ou de passageiros, no caso das embarcações de passageiros e, por exceder esse limite, muitas vidas foram perdidas nos nossos rios. Em muitos casos, essas embarcações estão em péssimas condições de navegabilidade, mas os proprietários, alguns por necessidade e outros por ganância mesmo, põe em risco a própria vida e de outras pessoas. No que se refere à segurança da navegação, muitas dessas embarcações não possuem coletes, luzes de navegação e várias delas não são registradas na Capitania dos Portos. Como não são registradas, não pagam o seguro obrigatória a ser recebido pelas pessoas que viajam nessas embarcações em caso de acidentes. A nossa cultura dos proprietários dessas embarcações e de que: nada de mais acontecerá, pois a embarcação é segura! Contudo, a experiência tem demonstrado que nenhuma embarcação é segura contra uma fatalidade. Para combater essa cultura de andar em embarcações que oferecem riscos às vidas dos passageiros e mesmo a possível perda da embarcação, é preciso empenho de todos, principalmente das autoridades municipais, fiscalizando na origem a saída dessas embarcações e conscientizando, nas escolas principalmente, os possíveis viajantes de amanhã.

sábado, 24 de junho de 2017

OBRAS EM PONTA DE PEDRAS.

Talvez por eu ter nascido na margem do Igarapé Jiticateua, não entenda certas obras que são feitas nas cidades grandes. Muitas dessas obras, apesar de consumirem alguns recursos municipais, na minha visão seriam desnecessárias, por não contribuírem em nada para o benefício do povo e pouco embelezarem a cidade, se for esse o objetivo. A foto abaixo mostra uma dessas obras feitas no meu interior - Ponta de Pedras, principalmente esse canteiro, bem no meio da passagem dos pedestres. Quando estive em Ponta de pedras, fiquei sentado ali pelo Bar do João e constatei que a jardineira era apenas para atrapalhar quem se dirigia ou vinha do trapiche. Quem estava de bicicleta, deixava a bicicleta encostada na jardineira e aí atrapalhava mais. Nos horários de saída das embarcações,os carros que levavam bagagens, alguns iam até às proximidades do trapiche, assim como as motos e bicicletas e aí é um tumulto só! Mas quem sou eu para dizer que está errado, prefiro dizer que não entendi o motivo da construção.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

UM BOM EXEMPLO DE PONTA DE PEDRAS.



 Esse registro foi feito por ocasião do círio de Ponta de Pedras de 2015, quando alunos de escolas públicas recolhiam o lixo jogado pelos romeiros que acompanhavam a procissão. A iniciativa deve ser enaltecida e não sei se aconteceu nos anos seguintes. Contudo, ficaria mais bonito se a população fosse conscientizada para evitar jogar lixo nas ruas, mantendo assim, a Cidade limpa o ano todo. Às vezes, um pequeno gesto de cada um, como jogar o lixo no local adequado, com o tempo, torna-se hábito e todos passam a se comportar conforme as ações dos demais, mesmo os visitantes ocasionais. Tentar manter a Cidade limpa, é bom, bonito, barato e faz bem para a saúde.

sábado, 3 de junho de 2017

O PÁVULO.

Pávulo é aquela pessoa que se imagina estar rodeado das melhores coisas que existe na face da terra, tudo dele é melhor do que os demais possuem. Se numa roda de pessoas, enaltece a sua trajetória, mesmo sabendo que os demais o conhecem de longos anos. Diz que estudou nos melhores colégios, tirou as melhores notas da classe e justifica que esse sucesso deveu-se aos seus professores que eram os melhores da época. Se casado, não se inibe em afirmar que namorou as garotas mais bonitas da turma e se aquela “princesa” não fez parte das suas conquistas foi porque na época, não se interessou muito por ela. Se tem filhos, esses são mais inteligentes do que as demais crianças, não conhecem insucesso e se eventualmente vão mal em determinada ocasião, a culpa sempre é de outra pessoa, jamais dele, pois o seu filho foi um injustiçado. Se tem filhos formados, geralmente os chama de doutores, mesmo tendo só a graduação e sequer sendo doutorando. Tem os melhores amigos, geralmente ocupando altos cargos o que faz do Pávulo uma pessoa bem relacionada. Suas roupas geralmente são de grifes famosas e se é visto com alguma de marca conhecido, não foi comprado por ele, foi presente de alguém muito íntimo que não conhecendo coisa boa lhe presenteou e costuma usar para homenagear o amigo. Só vai nos melhores restaurantes e diz pagar sempre no débito pois não gosta de “deixar para pagar depois”, haja vista ter sempre uma boa reserva no banco. 
Fotos, costuma tirar sempre de óculos escuro, roupa de marca e num belo lugar, preferencialmente nas proximidades de belas mulheres, em carros ou sentado no banco de uma bela moto, pois o Pávulo adora aparecer “bem na foto”.
O Pávulo consegue até impressionar alguns, aqueles que de um modo geral acreditam praticamente em tudo. Mas para a maioria não consegue se fazer acreditar, pois para esses, não passa de um Pávulo. E como tem Pávulo por ai.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

OS GOIABAS E SUAS VIAGENS PARA O ARARI.



 
Não sei se os meus conterrâneos marajoaras conhecem esse equipamento da foto, era muito usado pelas pessoas que outrora viajavam para o Arari, naqueles batelões a remo. Durante a viagem, num ou noutro estirão, para vencer a forte correnteza, os "goiabas", assim eram chamados pelos arariuaras os ponta-pedrenses que viajavam para o Arari, puxavam os seus batelões, às vezes com corda e outras vezes com cipós. Um dos viajantes subia na beirada e segurando numa ponta da corda ou cipó puxava a embarcação enquanto outro pilotava o bajara. Eventualmente, os viajantes eram puxados por um rebocador preto que era encontrado durante a viagem, o besouro, que assim como rebocava os batelões, às vezes afundava alguns. Na ida geralmente levava-se mantimentos para vender, como por exemplo: café, açúcar, tabaco, sal e outros gêneros. Esses produtos eram vendidos ou trocados por outros produtos mais abundante no Arari, como carne de sol, peixe salgado, capivara salgada, muçuã e por ai vai, que eram vendidos em Ponta de Pedras. Com o apurado, pagava-se a "conta" que ficara nas tabernas, pois os mantimentos que se levava para o Arari eram comprados fiado e muitos taberneiros ganhavam muito com isso.
Os viajantes, se não tinham capital para adquirir os mantimentos, tinham menos ainda para comprar uma boa embarcação, e muitas delas, viajavam em condições precárias. Algumas, quando estavam esbandalhadas, eram reparadas antes da viagem. Colocava-se pequenos pedaços de madeira para tapar algum furo e depois calafetava-se, dizia-se que foi colocado um "rombo" na embarcação. Mesmo assim, algumas, cansadas pelo longo tempo de uso, furavam durante a viagem e na impossibilidade de se colocar um "rombo' o jeito era encalhar o batelo numa beirado e tapar o furo com tabatinga e depois ter cuidado para não "rapar" numa árvore, como costumava-se dizer.
Para proteger a carga do sol, os viajantes construiam uma tolda, que era colocada entre o banco da popa e o meio da embarcação, na maioria das vezes até o primeiro banco após o banco da popa. A tolda era feita tecendo com tala de miriti duas estruturas retangulares e entre elas forrava-se com folhas, para evitar a entrada d'água e para finalizar, amarrava-se as beiradas com talas, pronto, estava feito o iapá! Para instalar o iapá na embarcação, usavam-se duas árvores, finas e flexíveis para que pudesse ser entortada e colocava-se uma na frente, junto ao bando do meio da embarcação e outra junto ao bando de trás formando arcos e por cima dessas duas varas, estendia-se o iapá e depois amarrava-se numa outra estrutura que era fixada ao longo da embarcação. Embaixo da tolda, podia-se amarrar uma rede pequena, estorde né? Pois é, mas os mantimentos que iam na frente da embarcação precisavam ser cobertos, aí a missão era da PANACARICA, que é o nome do equipamento da foto e ai com bons remos e um pedaço de jabá assado dentro de uma lata de molico, lá iam os "goiabas" para as suas viagens para o Arari.

domingo, 7 de maio de 2017

MATAPI.


Os matapís, para quem não sabe, são usados para pegar camarão. São feitos com talas de jupati e tendo o formato cilíndrico, tem um funil em cada extremidade por onde o camarão entra atraído pela isca, que é colocada por uma abertura feita mais ou menos no meio do matapí, é a boca. O camarão entra e não consegue mais sair, dado ao formato da entrada. A isca é diversificada, contudo, a mais usada, pelo menos no meu tempo, era a mistura de farinha, coco e um pouco d'água para umedecer. Depois de pronta, junta-se folhas de açaí, uma ao lado da outra e coloca-se um pouco da mistura, depois dobra-se formando um trouxinha e amarra-se com uma envira (embira), tirada da folha do miriti (buriti), deixando uma alça para que a isca seja pendurada na boca do matapi. O nome da isca, depois de pronta chama-se poqueca. Em determinadas épocas, quando o camarão bamburra, é necessário fazer um depósito para os camarões ficarem até serem vendidos, aí é feito o viveiro que tem o mesmo formato, mas sem o funil, pois destina-se apenas a manter os camarões vivos. Na foto, observa-se que tem um objeto amarrado próximo da boca dos matapís, são pedaços de miriti (usa-se isopor), usado para manter os matapís flutuando, porque os camarões estão mariscando na superfície. No foto, tirada às margens do Igarapé Giticateua, em Ponta de Pedras, também observa-se os xerimbabos mariscando.

domingo, 30 de abril de 2017

HOJE É O ANIVERSÁRIO DE PONTA DE PEDRAS.


Hoje, meu Torrão completa mais um ano. Nesses 139 anos a paisagem do município mudou pouco, pois os homens pouco interferiram, mesmo assim, houve algumas mudanças. Já a cidade mudou muito, pois ali, a mão do homem foi mais atuante. Em muitos casos, para deixar pior e modificar o que a natureza soube criar. A cidade praticamente está escondido por trás de uma orla feia, que foi loteada sem nenhum critério. 

Construíram-se trapiches ou outras edificações sem nenhum planejamento, daí a péssima aparência que observa-se quando percorre-se de barco a frente da cidade e a tendência não deixa nenhuma dúvida, poderá ficar pior.
No continente, se aumentaram o número de ruas e bairros para acomodar a população que cresce continuadamente, não se preocuparam em dotar esses locais de estruturas adequadas para oferecer aos novos moradores condições dignas de moradia. São ruas mal cuidadas, esgotos a céu aberto, falta de segurança, fossas sanitárias inadequadas e outras carências que meus conterrâneos ou pessoas que escolheram Ponta de Pedras para morar, sentem no dia a dia.
Na educação, meu município não apresenta uma boa classificação quando comparado com outros municípios brasileiros. Não podemos dizer que é falta de verba, porque outros municípios com dificuldades semelhantes, apresentam educação de melhor qualidade.
Administrativamente, nada se sabe sobre as contas públicas, pois os gestores municipais não dão a menor importância para as prestações de contas com os ponta-pedrenses, pois tanto a câmara como a prefeitura, não cumprem a Lei de Acesso à Informação.
O município tem pendência junto ao Governo Federal que não é resolvida e isso impede que Ponta de Pedras concorra em igualdade de condições com os demais municípios que cumprem as suas obrigações, ai se inclui a falta de transparência que também contribui para dificultar Ponta de Pedras a pleitear em melhores condições acesso aos recursos federais.
Alguns gestores, pelo que se tem observado, não têm correspondido às expectativas dos que os elegem, seja pelas poucas realizações que beneficiem a população ou por eventuais desvios de condutos que são pilhados, geralmente envolvendo dinheiro destinado ao município, é triste mas é a realidade.
Ponta de pedras, hoje, poderia comemorar grandes melhorias, se não faz, é porque as pessoas que pediram para administrá-la não cumpriram as suas promessas e até contribuíram para deixá-la pior.
Hoje, é um bom dia para se pedir aos gestores municipais que sejam mais responsáveis com Ponta de Pedras. Não precisa fazer muito, basta não desviar para outros fins os recursos destinados ao município e se empenhar para fazer com que os recursos cheguem ao seu destino.
Dessa forma, seriam bons presentes para a nossa Princesinha: que os recursos da merenda escolar, chegassem aos alunos das escolas; a verba da saúde, chegue ao povo através das várias ações que oferecerão melhor atendimento a todos; que o pouco dinheiro destinado ao município seja investido em bens úteis para a população; que os gestores saibam dar prioridade às necessidades da população, pois as prioridades do povo são diferentes das prioridades dos políticos; os colaboradores comissionados para ajudar administrar o município, sejam dedicados e honestos, pois muitos são os envolvidos em irregularidades, conforme podemos ver se dermos uma olhada nas decisões do Tribunal de Contas dos Municípios do Pará (TCM-Pa). Existem outros presentes que bons gestores poderão deixar como legado para os ponta-pedrenses, enumerá-los aqui, certamente ocuparia muito espaço.
Ponta de Pedras não conseguirá melhorar se não melhorar a administração municipal, pois todas possíveis melhorias passarão, necessariamente, pela câmara e prefeitura. 
Ao povo, cabe a responsabilidade pela boa escolha desses administradores que, hoje, pouco importa se são os ideais ou não, pois, durante os próximos quatro anos é o que se tem e são com esses que deve-se trabalhar. 
 Finalmente, é fundamental observar Ponta de Pedras hoje, ano que vem e subsequentemente, para comparar o desempenho dos gestores e substituí-los se for o caso, pois Ponta de Pedras, precisa ser cuidada e enaltecida diariamente, não só no dia do seu aniversário, para que possamos usufruir do aconchego e apreciar ainda mais as belezas que a nosso Terra nos oferece.